A última crônica de Drummond e a Blogosfera
Jabert Diniz Júnior
Confesso, meio envergonhado, que, até hoje, li apenas uma crônica de Drummond. Sempre acreditei que ele escrevia poesias "apenas" (Vejam o tamanho da minha ignorância!). Mas, afinal, quem não conhece "José", seu icônico poema que foi musicado pelo cantor e compositor Paulo Diniz?
Voltando à crônica de Drummond, a primeira que li foi justamente a sua última;"Ciao" - Adeus em Italiano; aquela com a qual ele se despediu dos seus leitores e do jornal que as publicava.
E por que me chamou a atenção esta crônica? Além do fato de ser belíssima, ela, que registra a despedida de Drummond deste gênero literário, também retrata o seu início como cronista. Então, acho que também me sobressaiu um outro sentimento: a "inveja".
Sim, a inveja, porque a gente percebe quanto tempo perde na vida. Ele, Drummond, aos dezoito anos, com a coragem de um jovem determinado, se propôs a produzir um jornal (modestíssimo, mas um jornal, como ele conta) praticamente sozinho. Porém, apesar da "inveja", também fico feliz por ter entrado nesse mundo das croniquices (termo de Drummond), ainda que o tenha feito um tanto tardiamente.
Em "Ciao" Drummond conta que, fascinado por papel impresso, ao notar, que no andar térreo do prédio onde morava, em Belo Horizonte, toda manhã um placar exibia a primeira página de um modestíssimo jornal, entrou no local e ofereceu seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação.
Cético, o diretor perguntou-lhe sobre o que ele pretendia escrever. "Sobre tudo", disse o jovem Drummond. "Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível".
Olhando aquele menino se dispondo a produzir todo o jornal para ele praticamente de graça, ainda que o tenha considerado inepto, topou. Pronto, alí nasceu, em 1920, em Belo Horizonte, um poeta, cronista e contista, um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro.
Nesse nosso tempo atual acaba sendo muito mais fácil divulgar nossas modestas produções do que foi para Drummond. Sim, porque não precisamos convencer um diretor ou dono de jornal para isso. Qualquer pessoa pode criar um blog e entrar num mundo chamado "blogosfera" e dar vazão à sua criatividade: crônicas, poesias, contos, narrativas...
O termo "blogosfera" (um neologismo, pelo menos para mim), me foi trazido em uma crônica de uma querida amiga que ganhei justamente nesta Rede Literária.
Tais Luso de Carvalho, que possui um blog chamado PORTO DAS CRÔNICAS, publicou em julho do ano passado uma crônica cujo o título é "BLOGS – E O QUE É A BLOGOSFERA".
Segundo Tais, "a Blogosfera é um espaço na Internet que se destina, especificamente aos Blogs. Neles são colocados ideias, conhecimentos, sentimentos e emoções. Pode ser considerado um espaço literário para as pessoas que se dedicam a escrever Contos, Crônicas, Ensaios, Poemas etc."
Tais enfatiza que nesta Blogosfera existe respeito, carinho e satisfação por parte da maioria dos croniqueiros, contistas e poetas que nela se aventuram. E nela não há disputas, não há agressões. Pelo contrário, é território de paz, pois todos têm um imenso prazer em pensar e elaborar seus textos, com grande vontade de dizer as coisas que acontecem no seu cotidiano, e tudo sem estresse.
A autora do blog PORTO DAS CRÔNICAS finaliza seu texto, postando uma foto da Blogueira mais idosa do mundo: Dagny Carlsson que, com mais de cem anos, ainda publicava seus textos. Dagny Carlsson, que nasceu em 1912, na Suécia, faleceu aos 109 anos.
Aproveito esta oportunidade para convidar poetas, contistas, cronistas, novelistas, romancistas, ensaístas, que têm seus textos guardados e algum caderno, notebooks ou rascunhos, a ingressarem neste mundo "blogosférico" e mostrarem suas produções.
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Caríssimo leitor, caso tenha gostado da historinha, já sabe, COMPATILHE com os amigos e, se desejar, deixe seu comentário.
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