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O arraial dos meus sonhos

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Jabert Diniz Júnior No dia oito de junho de 2026, segunda-feira, entre dez e onze horas da manhã dei um passeio pelo largo de Santo Antônio e tirei alguns retratos. "Retratos" esses que, de fato, "retratam" os novos tempos. Algumas barracas (de madeira ou de chapas de metal) estavam abertas e funcionando, homens e mulheres trabalhando, alguns dando manutenção nos brinquedos para que estivessem com a segurança necessária e em bom funcionamento à noite. Enfim, até aí, tudo dentro da normalidade de um arraial da festa do nosso glorioso Santo Antônio. Mas, para quem viveu estas festividades quando era criança nos anos 70, como eu, nota algumas diferenças, algumas ausências determinantes nos dias atuais.  Naquele tempo, no período da festa de Santo Antônio (de 1⁰ a 13 de junho), por toda a manhã, podemos ter a certeza de que havia uma infinidade de crianças correndo, brincando e se divertindo pela praça da Matriz,  por entre as barracas. Pode parecer nostalgia, até porqu...

Os Estrangeiros Ximangos

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Padre Tej em visita ao lar de dona Eliete e de seu Jabert Diniz, em 25 de maio de 2026. Muitas histórias foram contadas nesse dia. Jabert Diniz Júnior O mundo está cada vez mais globalizado e, claro, já não é nenhuma novidade. Percebe-se isso pela intensificação dos fluxos de capitais, mercadorias, pessoas e informações, proporcionada pelo avanço técnico na comunicação e nos transportes. No futebol brasileiro, só para exemplificar o fluxo de pessoas (já que estamos em tempo de copa do mundo), de norte a sul do país, quase não há uma equipe que não tenha pelo menos um estrangeiro no elenco. E não apenas equipes da série "A".  Em Alenquer, no entanto, os estrangeiros não estão no futebol, estão na igreja; são os padres (e também as freiras). Não que isso seja uma novidade da atual globalização, pois sempre houve padres estrangeiros na região amazônica, e em terras ximangas não é diferente. Conterrâneos mais antigos devem se lembrar de alguns  estrangeiros paroquiais do passado,...

Eu sou ladrão

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Jabert Diniz Júnior 🎵  Eu sou ladrão, eu sou ladrão Eu sou ladrão, meu bem Eu vou roubar o seu coração Eu quero logo ser julgado E em seguida condenado A ficar preso no seu coração Pois minha felicidade É ficar atrás das grades Sem direito e sem perdão E no teu corpo de donzela Que vai ser a minha cela Eu jamais irei fugir paixão  🎵 O trecho acima é parte do sucesso musical  "Eu sou ladrão" do cantor e compositor paraense Wanderley Andrade. Parafraseando o artista "papa-chibé", também digo: eu sou "ladrão". Não ladrão de corações, como ele canta, mas de crônicas. Não, não é plágio. O que eu faço, depois de ler uma boa crônica, de saboreá-la, é escrever sobre ela, é tentar retransmitir a emoção que ela, porventura, possa ter me passado. Isso, claro, se for um texto que, de fato, tenha me trazido alguma emoção: que me divirta, me faça rir, refletir, ou até chorar... E não é necessário que o texto seja de um escritor famoso. Evidente que estamos mais prope...

Mutuca é que põe boi vilhaco

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Jabert Diniz Júnior "Deus está nas coincidências!"; "Não se troca amor velho por amor novo!"; "Mutuca é que põe boi vilhaco!"; "É melhor ficar vermelho por um momento do que amarelo a vida toda!".  Esses são alguns dos vários ditados que, desde criança, tantas e tantas vezes escutei do meu pai; ora para nos passar alguma orientação, ora para ironizar uma situação qualquer, fazer uma piada, gozador como sempre foi o "Velho". Afinal de contas, os ditados e jargões são expressões consolidadas na cultura brasileira que transmitem experiências, sabedoria popular e comportamentos; esses ditos populares são passados de geração em geração e sintetizam ideias complexas de forma breve e, quase sempre, carregadas de humor ou ironia. O Velho, quando queria nos passar um ensinamento da sua larga experiência de vida, muitas vezes, recorria aos seus velhos ditados. E eu procurava interpretá-los e assimilá-los do meu jeito. Nem sempre perguntava ao meu...

Elke em Alenquer? Maravilha!

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  Jabert Diniz Júnior A maioria absoluta dos brasileiros que conheceram Elke Maravilha, a conheceram pela TV, que era a mídia dominante no decorrer da sua carreira artística. E a  conheceram provavelmente como jurada do programa do Chacrinha, ou em outros programas do gênero.  Porém, boa parte dos jovens de hoje não devem nem saber quem foi Elke Maravilha. Só os mais antigos, que a viam nos programas de auditório com aquele seu visual extravagante. Elke Maravilha tem uma história, no mínimo, interessante, que não se restringe ao seu personagem exótico. Uma história para além dos programas de auditório da TV brasileira. N ascida em São Petersburgo, Rússia,  em 22 de fevereiro de 1945  (Há quem diga que foi na Alemanha), Elke Georgievna Grünupp,  veio para o Brasil quando ainda tinha seis anos de idade. Ela, os pais e os irmãos emigraram  para fugir da pobreza causada pela Segunda Guerra Mundial. No Brasil estabeleceram-se primeiramente em um sítio ...

Menino da Colônia - 2 Em casa

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Jabert Diniz Júnior Chegando em casa, minha avó foi direto ao pote. Colocou água em um copo e me deu. Bebi aquela água fresquinha. Ela também bebeu uns goles e deixou as coisas que ela trouxe da cidade em cima da mesa da cozinha. Vovó abriu as portas e janelas da casa, me chamou para um dos quartos, abriu um velho baú, que eu já conhecia. O baú era abarrotado de revistas, gibis e livros ilustrados, dos quais, uns falavam de um monte de profissões. - Fica aqui, vendo seus livrinhos, que a vovó vai cuidar do almoço!, falou minha avó. Fiquei me deliciando com os gibis da turma da Mônica, do Zé Carioca, Recruta Zero, Zorro, Tex, Tio Patinhas, enquanto minha avó cuidava do almoço. A casa da colônia do meu pai era uma construção de alvenaria de dois quartos amplos que se comunicavam por uma porta. Cada quarto também tinha uma porta que dava para a varanda. Na varanda ficava uma  mesa grande e dois bancos de madeira compridos, um de cada lado da mesa. Na varanda, também, ficava o pote de ...

O moleque que corria atrás de papagaio

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Jabert Diniz Júnior Quando era moleque, em Alenquer, eu brincava de muitas brincadeiras infantis como todo moleque da minha cidade. Pião, peteca, bandeirinha, futebol... Algumas brincadeiras tinham sua época específica. Empinar papagaio, por exemplo. Eu até empinava papagaio. Era legal. E até aprendi a fazer papagaios. Fazia-os em casa com toda a técnica que aprendi com os colegas,  passava cerol na linha  e ia empinar. E, no "tempo" dessa brincadeira, que, geralmente, era nas férias escolares, especialmente em julho, eu gostava mesmo era de "correr atrás" de papagaio. Sim, a brincadeira consistia em dois ou mais papagaios "trançarem" entre si, e o que tivesse o melhor cerol ou, fosse mais habilidoso, "cortar" a linha do adversário. Daí, os papagaios cortados (ou serrados) iriam cair em algum lugar. Então era disso que eu mais gostava nessa época: correr atrás dos papagaios que estavam caíndo. Subia em árvores, no telhado de casa ou casa de vizin...

Menino da Colônia - A primeira vez

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Jabert Diniz Júnior Atravessamos a rua, minha avó e eu. Ela segurava firme na minha mão. Eu tinha quatro anos. Havia um carro parado em frente à sorveteria do meu pai. A movimentação ali era grande. Era a avenida comercial da cidade. Já havia bastante gente no carro e também estava abarrotado de mercadorias que eram levadas para as comunidades da colônia. Chamava-se O Cafona, a sorveteria do meu pai, e era bem conhecida. Ficava em uma esquina da principal rua comercial da cidade. Do outro lado da avenida ficava a igreja de São Sebastião, padroeiro daquele bairro do Aningal. Naquele tempo não havia muitos automóveis na cidade. Era o tempo dos carros-de-boi, esses, sim, havia muitos. Mas essa avenida era bem movimentada, uma das poucas que eram pavimentadas, pavimento de concreto. Ela dava acesso direto para a estrada que nos levaria para o sítio do meu pai. Minha avó tinha todo o cuidado comigo. Meu pai e minha mãe confiavam muito na minha avó. Subimos na carroceria do carro. A boleia j...