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Menino da Colônia - A primeira vez

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Jabert Diniz Júnior Atravessamos a rua, minha avó e eu. Ela segurava firme na minha mão. Eu tinha quatro anos. Havia um carro parado em frente à sorveteria do meu pai. A movimentação ali era grande. Era a avenida comercial da cidade. Já havia bastante gente no carro e também estava abarrotado de mercadorias que eram levadas para as comunidades da colônia. Chamava-se O Cafona, a sorveteria do meu pai, e era bem conhecida. Ficava em uma esquina da principal rua comercial da cidade. Do outro lado da avenida ficava a igreja de São Sebastião, padroeiro daquele bairro do Aningal. Naquele tempo não havia muitos automóveis na cidade. Era o tempo dos carros-de-boi, esses, sim, havia muitos. Mas essa avenida era bem movimentada, uma das poucas que eram pavimentadas, pavimento de concreto. Ela dava acesso direto para a estrada que nos levaria para o sítio do meu pai. Minha avó tinha todo o cuidado comigo. Meu pai e minha mãe confiavam muito na minha avó. Subimos na carroceria do carro. A boleia j...

Uma saga

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Jabert Diniz Júnior   Esse fato aconteceu já faz algum tempo, na cidade de Santarém-Pa.  Um amigo, certa vez, teve sua moto apreendida pelo Detran. Voltava ele do futebol e, na avenida Bartolomeu de Gusmão, do lado do Parque da Cidade, na curva, chegando na avenida Barão do Rio Branco, havia uma blitz. Ele ficou tranquilo, pois achava que estava em dia com a documentação da moto. Não estava. Depois do guarda verificar a carteira de motorista e o documento da moto, o guarda disse que iria guinchar o veículo porque a documentação estava atrasada. Surpreso, mas sem contestar, teve que voltar pra casa de moto-táxi. Sua moto foi para o pátio do Detran. Era sábado à noite, só poderia resolver as coisas na segunda-feira.  Foi quando começou sua saga. Segunda feira, cedinho, correu para o Detran para começar o processo para retirar sua motocicleta, veículo extremamente útil no seu dia-a-dia. Começou o dia numa enorme fila para entrar no órgão, que ainda estava fechado.  Depo...

A Logomarca

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Logomarca da CEL - Coordenação de Esporte e Lazer da Ufopa Arte: Fábio Marcelo de Lima Jabert Diniz Júnior Quando criamos a logomarca da Coordenação de Esporte e Lazer - CEL, em 2023, houve muitas perguntas e até risadinhas por conta do "Uti et Frui" . "Parece até tutti frutti! rá rá", cheguamos a ouvir. - Santa ignorância!, diria Robin ao Batman rs... Então, vária vezes tivemos que esclarecer o significado pra quem nos perguntava. E haja explicação... Mas, agora, vou explicar o porquê de tudo. Por que o "Uti et Frui" e por que a imagem de um sujeito com uma caixa de ferramentas na mão esquerda e uma caixa de brinquedos na mão direita. Pois bem, quando d a minha primeira passagem pela CEL, em 2014, no ano de sua criação, o pró-reitor da Proges era o professor Valdomiro Sousa. E e m vários momentos, em reunião com a CEL, Valdomiro, citando "um tal de" Rubem Alves, dizia: "o homem deve, sempre, carregar em uma mão uma caixa de ferramentas e n...

A última viagem

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Pracinha, o barco da última viagem. figura ilustrativa, modificada por IA. Jabert Diniz Júnior Ainda não eram nem cinco horas da manhã, estava tudo escuro lá fora. Eu, naturalmente, não estava habituado a acordar àquela hora,  tinha treze anos.  Meu pai, sim. Meu pai sempre acordou cedo. Sua infância inteira foi assim, toda a sua vida foi assim. E agora não era diferente. Era um comerciante na cidade, mas também, um pequeno pecuarista. Muito cedo tinha que estar no batente. Levantei, preguiçosamente, mas levantei. Lavei o rosto, escovei os dentes, me arrumei. Fomos tomar café. Minha mãe também havia acordado. Tomamos café juntos. Pegamos as tralhas: valise com roupas e redes, isopor com gelo, água, comida e outras coisas necessárias para a viagem. Nos despedimos de minha mãe, meu pai e eu, e saímos de casa, descemos a travessa Ascendino Monteiro (atual Antonio Mesquita) em direção à "beira" do rio. Chegando lá na beira, seu Aurino já estava no barco e nos recepcionou, dando b...

Um negócio diferente

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Maria Santos de Medeiros: a empreendedora dona da " Brinquedoteca das Marias " na orla de Santarém. Jabert Diniz Júnior C aminhando de ponta a ponta pela orla de Santarém, nos deparamos com uma infinidade de pequenos empreendedores. A maioria absoluta deles é de venda de algum tipo de comida, das mais variadas: Churrasquinhos,  sanduíches, batata frita, queijo assado,  comidas típicas como o tacacá, a maniçoba e a farofa de piracuí,  castanha de caju, churros,  sorvetes. E, também, venda de bebidas, como:  sucos "rala-rala",  cerveja, água, drinks,  água de coco, etc . A bela Orla de Santarém, à margem do Rio Tapajós, num final de tarde. Mas aí, em determinada noite de passeio, nos deparamos com um empreendimento que nos chamou a atenção, era um negócio diferente. Em um espaço da orla avistamos alg umas mesas dispostas   que continham alguns brinquedos.  Em uma havia um tabuleiro de xadrez, em outra um jogo de damas, em outra um jogo de domi...

O aniversariante do Membeca e a geleira de cerveja

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Cinco atletas para conseguir segurar a geleira membequiana abarrotada de cerveja: Jonnes, Maike, Jabert, Marcos Caraca e Eric. Jabert Diniz Júnior O futebol,  ah, o futebol!    ou futsal, tanto faz, ainda é o esporte mais praticado no Brasil. Quando cheguei para morar em Santarém, em 2004, meu novo amigo e colega de trabalho Jonnes Pedroso, foi o primeiro a me saudar e convidar para jogar futebol, no caso, futsal. Local: "Grec", uma quadra localizada no bairro do Mapiri, que já tinha uma certa fama na cidade como palco de grandes eventos do passado. E lá, no Grec, comecei a construir um novo círculo de amizade. Amizade saudável que só os esportes como o futebol são capazes de promover, e que se estendem até os dias de hoje. A pelada do Grec tornou-se tradicional. Todo sábado, infalivelmente, às dezessete horas, o "show" começava. Show de Nélio, de Lica, de Asael, de Dudu. Show dos goleiros: Jonnes, Leandro Lomba, Helcias e Rildisson. E a brincadeira ia até às dezen...

O Trapichinho em minha memória

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Travessa Antônio Mesquita (antiga Ascendino Monteiro), dava direto no rio Surubiú e no Trapichinho do seu Ivan, a apenas dois quarteirões de casa. Ei, mas cadê o Trapichinho? J abert Diniz Júnior D izem que viajar com os filhos imprime nas suas lembranças grandes memórias afetivas. Deve ser verdade, pois, eu mesmo lembro de viagens que fiz com meu pai ou com meu avô que ficaram marcadas, me trazendo grandes recordações. Mas há coisas realizadas no lugar em que você nasceu e morou durante sua infância que também ficam na memória para sempre. E quando você se lembra, lembra com grandes saudades. Posso até afirmar que estas coisas vividas no seu lugar de origem, naquela sua tenra idade, são as que mais ficam guardadas na memória. "Tomar banho na beira" (no rio) era uma das maiores emoções da nossa vida quando éramos crianças. Pelo menos era para mim e meus irmãos, em Alenquer, cidade em que nascemos e vivemos a nossa infância. Era uma felicidade inexprimível, tomar banho na beir...