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Elke em Alenquer, Maravilha!

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  Jabert Diniz Júnior A maioria absoluta dos brasileiros que conheceram Elke Maravilha, a conheceram pela TV, que era a mídia dominante no decorrer da sua carreira artística. E a  conheceram provavelmente como jurada do programa do Chacrinha, ou em outros programas do gênero.  Porém, boa parte dos jovens de hoje não devem nem saber quem foi Elke Maravilha. Só os mais antigos, que a viam nos programas de auditório com aquele seu visual extravagante. Elke Maravilha tem uma história, no mínimo, interessante, que não se restringe ao seu personagem exótico. Uma história para além dos programas de auditório da TV brasileira. N ascida em São Petersburgo, Rússia, em  em 22 de fevereiro de 1945  (Há quem diga que foi na Alemanha), Elke Georgievna Grünupp,  veio para o Brasil quando ainda tinha seis anos de idade. Ela, os pais e os irmãos emigraram  para fugir da pobreza causada pela Segunda Guerra Mundial. No Brasil estabeleceram-se primeiramente em um sít...

Menino da Colônia - 2 Em casa

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Jabert Diniz Júnior Chegando em casa, minha avó foi direto ao pote. Colocou água em um copo e me deu. Bebi aquela água fresquinha. Ela também bebeu uns goles e deixou as coisas que ela trouxe da cidade em cima da mesa da cozinha. Vovó abriu as portas e janelas da casa, me chamou para um dos quartos, abriu um velho baú, que eu já conhecia. O baú era abarrotado de revistas, gibis e livros ilustrados, dos quais, uns falavam de um monte de profissões. - Fica aqui, vendo seus livrinhos, que a vovó vai cuidar do almoço!, falou minha avó. Fiquei me deliciando com os gibis da turma da Mônica, do Zé Carioca, Recruta Zero, Zorro, Tex, Tio Patinhas, enquanto minha avó cuidava do almoço. A casa da colônia do meu pai era uma construção de alvenaria de dois quartos amplos que se comunicavam por uma porta. Cada quarto também tinha uma porta que dava para a varanda. Na varanda ficava uma  mesa grande e dois bancos de madeira compridos, um de cada lado da mesa. Na varanda, também, ficava o pote de ...

O moleque que corria atrás de papagaio

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Jabert Diniz Júnior Quando era moleque, em Alenquer, eu brincava de muitas brincadeiras infantis como todo moleque da minha cidade. Pião, peteca, bandeirinha, futebol... Algumas brincadeiras tinham sua época específica. Empinar papagaio, por exemplo. Eu até empinava papagaio. Era legal. E até aprendi a fazer papagaios. Fazia-os em casa com toda a técnica que aprendi com os colegas,  passava cerol na linha  e ia empinar. E, no "tempo" dessa brincadeira, que, geralmente, era nas férias escolares, especialmente em julho, eu gostava mesmo era de "correr atrás" de papagaio. Sim, a brincadeira consistia em dois ou mais papagaios "trançarem" entre si, e o que tivesse o melhor cerol ou, fosse mais habilidoso, "cortar" a linha do adversário. Daí, os papagaios cortados (ou serrados) iriam cair em algum lugar. Então era disso que eu mais gostava nessa época: correr atrás dos papagaios que estavam caíndo. Subia em árvores, no telhado de casa ou casa de vizin...

Menino da Colônia - A primeira vez

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Jabert Diniz Júnior Atravessamos a rua, minha avó e eu. Ela segurava firme na minha mão. Eu tinha quatro anos. Havia um carro parado em frente à sorveteria do meu pai. A movimentação ali era grande. Era a avenida comercial da cidade. Já havia bastante gente no carro e também estava abarrotado de mercadorias que eram levadas para as comunidades da colônia. Chamava-se O Cafona, a sorveteria do meu pai, e era bem conhecida. Ficava em uma esquina da principal rua comercial da cidade. Do outro lado da avenida ficava a igreja de São Sebastião, padroeiro daquele bairro do Aningal. Naquele tempo não havia muitos automóveis na cidade. Era o tempo dos carros-de-boi, esses, sim, havia muitos. Mas essa avenida era bem movimentada, uma das poucas que eram pavimentadas, pavimento de concreto. Ela dava acesso direto para a estrada que nos levaria para o sítio do meu pai. Minha avó tinha todo o cuidado comigo. Meu pai e minha mãe confiavam muito na minha avó. Subimos na carroceria do carro. A boleia j...

Uma saga

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Jabert Diniz Júnior   Esse fato aconteceu já faz algum tempo, na cidade de Santarém-Pa.  Um amigo, certa vez, teve sua moto apreendida pelo Detran. Voltava ele do futebol e, na avenida Bartolomeu de Gusmão, do lado do Parque da Cidade, na curva, chegando na avenida Barão do Rio Branco, havia uma blitz. Ele ficou tranquilo, pois achava que estava em dia com a documentação da moto. Não estava. Depois do guarda verificar a carteira de motorista e o documento da moto, o guarda disse que iria guinchar o veículo porque a documentação estava atrasada. Surpreso, mas sem contestar, teve que voltar pra casa de moto-táxi. Sua moto foi para o pátio do Detran. Era sábado à noite, só poderia resolver as coisas na segunda-feira.  Foi quando começou sua saga. Segunda feira, cedinho, correu para o Detran para começar o processo para retirar sua motocicleta, veículo extremamente útil no seu dia-a-dia. Começou o dia numa enorme fila para entrar no órgão, que ainda estava fechado.  Depo...

A Logomarca

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Logomarca da CEL - Coordenação de Esporte e Lazer da Ufopa Arte: Fábio Marcelo de Lima Jabert Diniz Júnior Quando criamos a logomarca da Coordenação de Esporte e Lazer - CEL, em 2023, houve muitas perguntas e até risadinhas por conta do "Uti et Frui" . "Parece até tutti frutti! rá rá", cheguamos a ouvir. - Santa ignorância!, diria Robin ao Batman rs... Então, vária vezes tivemos que esclarecer o significado pra quem nos perguntava. E haja explicação... Mas, agora, vou explicar o porquê de tudo. Por que o "Uti et Frui" e por que a imagem de um sujeito com uma caixa de ferramentas na mão esquerda e uma caixa de brinquedos na mão direita. Pois bem, quando d a minha primeira passagem pela CEL, em 2014, no ano de sua criação, o pró-reitor da Proges era o professor Valdomiro Sousa. E e m vários momentos, em reunião com a CEL, Valdomiro, citando "um tal de" Rubem Alves, dizia: "o homem deve, sempre, carregar em uma mão uma caixa de ferramentas e n...

A última viagem

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Pracinha, o barco da última viagem. figura ilustrativa, modificada por IA. Jabert Diniz Júnior Ainda não eram nem cinco horas da manhã, estava tudo escuro lá fora. Eu, naturalmente, não estava habituado a acordar àquela hora,  tinha treze anos.  Meu pai, sim. Meu pai sempre acordou cedo. Sua infância inteira foi assim, toda a sua vida foi assim. E agora não era diferente. Era um comerciante na cidade, mas também, um pequeno pecuarista. Muito cedo tinha que estar no batente. Levantei, preguiçosamente, mas levantei. Lavei o rosto, escovei os dentes, me arrumei. Fomos tomar café. Minha mãe também havia acordado. Tomamos café juntos. Pegamos as tralhas: valise com roupas e redes, isopor com gelo, água, comida e outras coisas necessárias para a viagem. Nos despedimos de minha mãe, meu pai e eu, e saímos de casa, descemos a travessa Ascendino Monteiro (atual Antonio Mesquita) em direção à "beira" do rio. Chegando lá na beira, seu Aurino já estava no barco e nos recepcionou, dando b...