O sapo da Mariinha e o Periquito da Cruz
Jabert Diniz Júnior
Menino é menino em todos os tempos, mas parece que na época da gente, a época de cada moleque, os moleques eram mais danados.
Do meu tempo de moleque, por exemplo, tenho muitas lembranças das traquinagens daquela molecada da qual fazia parte.
Brincávamos muito. E conversávamos bastante também. Tempo bom demais.
À noitinha, quando já não estávamos mais em brincadeiras de correr, tipo jogando bola, brincando de pira ou de bandeirinha, a gente tava reunido numa esquina contando e ouvindo estórias.
E nessas rodadas de conversa de moleque surgia de tudo: piadas, estórias de vizagem ou alguma fofoca da cidade.
Apelido, quase todo mundo tinha: Cassete, Tibureca Macarrão, Macaco, Bita, Mazote, Roldão, Coruja, Pulega, Cazuza, Estrepa Caju, Sapo, Barriga, Capim Gordura, Boto, Nhango, Boca, Cubaixo, e por aí vai.
Muitos moradores da cidade eram conhecidos por serem marido de uma senhora mais popular, ou, ao contrário, a senhora era conhecida por ser esposa de um sujeito mais conhecido.
Por exemplo, alguém perguntava: " - Ei, você sabe onde mora a dona Maria? - Qual, a Maria do Lauro?". Então, assim identificava-se a dona Maria, a mulher do seu Lauro. E era assim, e ainda é, que muitos conhecem as pessoas na minha cidade. Também se identificava pelos pai ou pela mãe. Por exemplo: o "Joaquim da Maria do Céu"; o "Paulo do Aldo"; o "Bita da Eliete"
Aí, naquelas conversas da molecada, reunida na esquina da casa do Zé Macedo, o "Zé Macedo da Cristovina", um dos moleques, lembrando dessa forma de identificar as pessoas da cidade, lembrou que o "Sapo", um simpático pipoqueiro era marido da dona Mariinha. E que o "Periquito", outra figura popular da cidade e que tinha um boxe lá no mercado municipal, era marido da dona Cruz.
Aí já viu, quando a possível informação dava um duplo sentido, a molecada caia na gargalhada.
Era o "Sapo da Mariinha e o Periquito da Cruz."
Coisa de moleque. Eita que saudades daquelas conversas descontraídas e divertidas.
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A P O I O


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