O arraial dos meus sonhos
Jabert Diniz Júnior
No dia oito de junho de 2026, segunda-feira, entre dez e onze horas da manhã dei um passeio pelo largo de Santo Antônio e tirei alguns retratos.
"Retratos" esses que, de fato, "retratam" os novos tempos. Algumas barracas (de madeira ou de chapas de metal) estavam abertas e funcionando, homens e mulheres trabalhando, alguns dando manutenção nos brinquedos para que estivessem com a segurança necessária e em bom funcionamento à noite.
Enfim, até aí, tudo dentro da normalidade de um arraial da festa do nosso glorioso Santo Antônio.
Mas, para quem viveu estas festividades quando era criança nos anos 70, como eu, nota algumas diferenças, algumas ausências determinantes nos dias atuais.
Naquele tempo, no período da festa de Santo Antônio (de 1⁰ a 13 de junho), por toda a manhã, podemos ter a certeza de que havia uma infinidade de crianças correndo, brincando e se divertindo pela praça da Matriz, por entre as barracas.
Pode parecer nostalgia, até porque é mesmo. Mas, meu amigo, meu nobre conterrâneo, posso afirmar que, naqueles anos dourados, nós, moleques naqueles tempos, nos divertíamos demais, a gente brincava, mas brincava muito pela praça nesse horário.
Era o Joaquim, Daniel, Raul, Rivail, Kleber, Jader, Bita, Guto, Cassete, Antônio, Cazuza, Luís Aníbal, Omar Augusto, Barriga, Cafurina, Carumbé, Guadá, Dodô, Paulo, Fran, Paulão, Diquinho, Zezito, Cláudio, Macarrão, Lino, Roldão, Idegar, ... e mais uma ruma de moleques da vizinhança e de outros bairros aproveitando o melhor momento da cidade ximanga.
O outro elemento ausente no arraial, tão importante quanto a presença da criançada na praça, é a palha, sim, a palha da qual eram feitas as barracas. Seu cheiro, parece que ainda está entranhado em nossas narinas, em nossas mentes, em nossas lembranças.
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| Fotografia atual modificada por IA, que transformou as atuais barracas para barracas de palha. |
Isso porque a palha, com seu forte e delicioso aroma, não servia apenas para a construção das barracas. Não senhor, a palha tinha uma outra importante função no arraial. Ela era matéria prima para uma série de brinquedos que aquela molecada criativa inventava. Eram aviões, carros, barcos, sanfonas, apitos, enfeites e mais uma infinidade de outras coisas divertitas que, inacreditavelmente, a molecada fazia.
Daí dizer que sim, é nostalgia sim, e que ainda sonho ver um dia um arraial do glorioso Santo Antônio retrô; que a diretoria das festividades, juntamente com artistas e artesãos alenquerenses resolvam fazer um "arraial retrô", com as barracas construídas de palha, para que os antigos ximangos matem a saudade e o jovens sintam um pouquinho como era o largo de Santo Antônio em um tempo em que as crianças brincavam o dia inteiro durante os treze dias de festa do nosso padroeiro.







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