Eu sou ladrão

Jabert Diniz Júnior

🎵 Eu sou ladrão, eu sou ladrão

Eu sou ladrão, meu bem

Eu vou roubar o seu coração


Eu quero logo ser julgado

E em seguida condenado

A ficar preso no seu coração


Pois minha felicidade

É ficar atrás das grades

Sem direito e sem perdão


E no teu corpo de donzela

Que vai ser a minha cela

Eu jamais irei fugir paixão 🎵


O trecho acima é parte do sucesso musical "Eu sou ladrão" do cantor e compositor paraense Wanderley Andrade.

Parafraseando o artista "papa-chibé", também digo: eu sou "ladrão". Não ladrão de corações, como ele canta, mas de crônicas.

Não, não é plágio. O que eu faço, depois de ler uma boa crônica, de saboreá-la, é escrever sobre ela, é tentar retransmitir a emoção que ela, porventura, possa ter me passado.

Isso, claro, se for um texto que, de fato, tenha me trazido alguma emoção: que me divirta, me faça rir, refletir, ou até chorar...

E não é necessário que o texto seja de um escritor famoso. Evidente que estamos mais propensos a ler crônicas, poemas, romances ou contos, de autores consagrados.

Já ensaiei (re)transmitir emoções sentidas ao ler crônicas de Drummond, de Rubem Alves, de filmes, mas, também, me aproveitei de crônicas de amigos nem tão famosos, mas muito talentosos, como Silvan Cardoso, um escritor conterrâneo meu, ou da amiga Taís Luso de Carvalho, uma escritora gaúcha que tem um blog chamado Porto das Crônicas por exemplo.

Atualmente, meu livro de cabeceira é "OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA", um livro de crônicas de Rubem Alves. 

Leio-o compassadamente, sem pressa. Às vezes, leio apenas uma crônica, às vezes, várias. Às vezes, volto e releio algumas, só para rir de novo. Ou, para nelas inspirar uma escrita minha.

Daí eu dizer que roubo crônicas. Faço uma tentativa de transmitir aqui, nesta ferramenta, neste blog, a emoção que senti ao ler o texto do(a) autor(a).

Rubem Alves era implacavelmente contrário à leitura dinâmica. E em mais de uma de suas crônicas ele tece suas críticas à tal técnica criada e patenteada na década de 1950 pela professora americana Evelyn Wood.

Em um dos textos do livro, Rubem Alves até reproduz alguns argumentos dos defensores do método:

"Ler dinamicamente é muito importante no preparo para o vestibular. Quem anda devagar fica para trás!" 

Ironicamente, no entanto,  o educador sugere que a filosofia da leitura dinâmica seja também aplicada a outras áreas, por exemplo:

"Sexo dinâmico: Por que perder tempo gastando uma hora fazendo amor se com a técnica do sexo dinâmico tudo se realiza em dois minutos?

Comer dinamicamente! Quanto tempo se perde nas refeições! Com a técnica da comida dinâmica, um jantar termina em cinco minutos. 

Música dinâmica! A Nona sinfonia pode ser ouvida em dois minutos!

Durma também dinamicamente! Você terá muito mais tempo para fazer outras coisas!

Para finalizar, Rubem Alves cita um trecho do clássico da literatura, "O Pequeno Príncipe":

O Pequeno Príncipe encontrou-se com um vendedor de pílulas para matar a sede. 

- Para que servem essas pílulas?, perguntou o principezinho.

- Para economizar tempo, Respondeu o vendedor. Já se fizeram pesquisas que mostram que, por semana, gastamos duas horas indo até o filtro para beber água. Se você tomar as pílulas contra a sede você não gastará esse tempo”, explicou o vendedor.

- E o que é que eu faço com esse tempo?

- Com esse tempo você faz o que quiser...

O Pequeno Príncipe parou, pensou e concluiu: 

- Que bom! Se eu tiver duas horas livres eu quero ir vagarosamente, mãos nos bolsos, até a fonte para beber água...”.

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Caríssimo leitor, grato por ler esta historinha. Já sabe, se gostou, COMPATILHE com os amigos e deixe seu comentário.


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