Meu Brinco

Jabert Diniz Júnior 

BrincoO vocábulo "brinco" pode ter vários significados:  pode ser uma joia, ou bijuteria, que serve de enfeite para as orelhas; pode se referir a algo que está muito limpo e bem arrumado (Ex.: humm, este lugar está um brinco!); pode, também, ser a conjugação do verbo brincar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: Eu brinco!

O verbo "brincar", na verdade, originou-se a partir da palavra brinco, no sentido de fazer gracejos ou passatempos.

No meu caso, no nosso caso (meu e dos meus irmãos), Brinco tem um significado muito singular, muito especial. Brinco foi o nosso cãozinho, quando éramos crianças.

Que eu me lembre, foi o nosso primeiro "pet", pois que eu era bem pequeno e não me recordo de outro antes dele. Depois, sim,  depois houve outros cãezinhos de estimação.

Mas Brinco foi muito especial; cresceu junto com a gente e, com ele, brincamos muito, fazendo jus ao seu nome. Eu tinha uns quatro ou cinco anos quando ele chegou em casa; branquinho, pequenininho, com a testa vermelhinha dividida ao meio com a cor branca predominante.

Todo mundo que teve um cãozinho quando criança, sabe do que falo.

E Brinco foi crescendo com a gente. Ele, numa velocidade maior, naturalmente. Todos sabemos que os anos para os cães correm mais depressa que para os humanos, assim dizem os especialistas.

Então, um ano depois, Brinco já era um adolescente, enquanto nós, continuávamos crianças. E ele ficava cada vez mais "moleque" e "brincalhão". De manhã, cedo, mamãe mandava ele nos acordar para ir para a escola. " - Brinco, vai acordar os meninos!". E o danado entrava no nosso quarto e ia lambendo cada um de nós quatro.

Naquele tempo não havia a moda de vestimentas para "pets". Mas, a gente, especialmento o Zé Jorge (o Barriga), pegava um de nossos calções, uma camiseta velha e vestia nele. Colocávamos um daqueles óculos que a gente havia ganhado em aniversários e íamos lá para a "beira", passear com ele. Era gargalhada geral dos colegas e de quem o via daquele jeito.

Quem não gostava mesmo, eram os outros cachorros, que queriam avançar nele. Inveja, provavelmente (rs).

Dois anos depois, Brinco já era adulto. Mas nós continuávamos crianças. E com ele, a gente continuava brincando. Ele continuava fazendo jus ao nome: quando tomava banho, ficava "um brinco". E, também, ele "brincava" demais com a gente.

E nós fomos crescendo e Brinco ficando mais velho. Tempos depois, fomos debandando da nossa cidade, para morar na capital do Estado. Primeiro Douglas, depois o Zé Jorge e,  finalmente, depois de uns dez anos, eu. E Brinco ficou. Guto também ficou.

E um dia, depois de mais alguns anos de eu ter ido embora, meu pai, por telefone, nos informou que Brinco havia partido. Foi-se nosso cãozinho, quase um irmãozinho, morreu de velhice, quase quinze anos depois de chegado para encher de alegria nossa casa e nossa infância. Deixou saudades, como todos que passam por nossa vida e nos fazem bem.


** ** ** **

A P O I O



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