Os Estrangeiros Ximangos

Padre Tej em visita ao lar de dona Eliete e de seu Jabert Diniz, em 25 de maio de 2026. Muitas histórias foram contadas nesse dia.

Jabert Diniz Júnior

O mundo está cada vez mais globalizado e, claro, já não é nenhuma novidade. Percebe-se isso pela intensificação dos fluxos de capitais, mercadorias, pessoas e informações, proporcionada pelo avanço técnico na comunicação e nos transportes.

No futebol brasileiro, só para exemplificar o fluxo de pessoas (já que estamos em tempo de copa do mundo), de norte a sul do país, quase não há uma equipe que não tenha pelo menos um estrangeiro no elenco. E não apenas equipes da série "A". 

Em Alenquer, no entanto, os estrangeiros não estão no futebol, estão na igreja; são os padres (e também as freiras). Não que isso seja uma novidade da atual globalização, pois sempre houve padres estrangeiros na região amazônica, e em terras ximangas não é diferente.

Conterrâneos mais antigos devem se lembrar de alguns  estrangeiros paroquiais do passado, como: Frei Atanásio, Frei Alberto, Irmã Calista, Frei Mário, Frei Martinho, Frei patrício, Frei Carlos, padre Belarmino, Padre Rex, e tantos outros. Muitos de origem alemã.

Nos últimos tempos, muitos outros padres estrangeiros têm passado pela paróquia de Santo Antônio de Alenquer: Padres portugueses, Africanos, e Indianos. Dentre eles, Padre Adolphe, Padre João Batista, Padre Manoel Pereira, Padre Silovai e Padre Tej.

Sendo minha família muito católica, especialmente minha mãe, dona Eliete, sempre se recebeu em nossa casa  vários padres e freiras, seja em aniversários, em almoços comuns ou apenas para uma simples visita.

Meu pai e minha mãe e, mais antigamente, meus avós Zé Hage e dona Niquita, sempre os receberam com muito carinho e respeito. E quase sempre um padre se destacava mais nas visitas à residência dos meus pais e dos meus avós.

Atualmente, há um padre que minha mãe gosta muito e faz muita questão que ele a visite com frequência. E quando ele se demora um pouquinho mais a visitá-la, ela já se põe a reclamar: - Mas e o Padrezinho, héin? Faz tempo que ele não aparece!

O "tal" Padrezinho é o padre Tej, um padre indiando que, por conta da sua pequena estatura, minha mãe, carinhosamente, o chama de "Padrezinho".

Mas se o "Padrezinho" se demora a aparecer, é porque ele está em missão pelas comunidades. O Padre Tej nunca para; cumpre sua missão na região com muita dedicação. É incansável, é um grande.

Padre Tej Kumar Kullu,  é natural da cidade de Rourkela, a terceira maior cidade do estado de Odisha e um importante polo industrial e comercial na Índia.

Cidade de Rourkela, Odisha, Índia.
Fonte: Internet

Sua última visita à nossa casa foi no último dia 25 de maio de 2026. Nesse dia ele passou mais de hora conversando com meus pais. E contou muitas histórias, como sempre gosta de contar. Disse ele que nesses dias que esteve "sumido", ele estava em missão pelas comunidades de Centro Grande, Urumanzal, Laguinho, Vai quem Quer, Bom Vento, Murissoca e outras vilas que ficam às margens da Vicinal do Cuamba.

Região da Vicinal Cuamba.

Padre Tej gosta muito de contar histórias, de falar de sua terra natal e de sua família também.

Nesta última visita, o padre contou muitas histórias; contou de suas suas viagens pelas comunidades de várzea da região, que cada viagem é sempre uma aventura. E, entre tantas outras histórias, o padre nos contou que depois de sua ordenação, ele tinha que apresentar três opções de paróquias para pastorear. Ele, então, apresentou três países: primeiro o Brasil, segundo o Timor Leste e, por fim, a Austrália. Veio, então, para o Brasil, veio para a Capital do Mundo, segundo alguns apaixonados ximangos.

Aos 38 anos, recém completados e com mais de cinco anos em terras ximangas, o Padrezinho é uma figura muito benquista na cidade. E, junto com outras dedicadas figuras eclesiásticas da Paróquia do glorioso Santo Antônio, como Irmã Carmosa, outra simpatia de pessoa, eles levam paz e tranquilidade para os lares ximangos.

Na foto à esquerda, o Padre Tej, que esteve presente em um aniversário promovido por dona Eliete. Á direita, Irmã Carmosa em uma cordial visita ao lar de dona Eliete Hage.
Fonte: Jabert Diniz Júnior


Matriz de Santo Antônio de Alenquer, Maio de 2026
Fonte: Jabert Diniz Júnior


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Comentários

  1. Meu amigo Jabert filho, parabéns pela matéria, pessoas como Padre Tej, é que devem ser bem vindas aos lares dos alenquerenses, vejo hoje que perdemos muitos espaços a outras seitas, por falta dessas palavras amigas enviadas por Deus, uma mensagem de acolhida a um padre estrangeiro que visita famílias deve transmitir hospitalidade, valorizar sua presença como sinal do Bom Pastor e celebrar a universalidade da Igreja. Bendito seja Deus por sua presença em todos os lares, Padre! o senhor com o coração aberto, certos de que, através de suas palavras e gestos, é o próprio Cristo que nos visita para nos ensinar que o amor de Deus ultrapassa todas as barreiras. Estaremos sempre em oração pela sua vocação e pelo seu ministério. Parabéns a família Hage & Dinis pela acolhida, são nossos reconhecimento da familia Aguiar & Monteiro.

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